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1 de dezembro de 2017
Apesar de ter um final, este livro tem alguns capítulos inacabados e ainda assim é considerada a obra mais importante de Franz Kafka e uma das mais importantes obras da literatura alemã e mundial. E não é à toa, pois a miríade de interpretações que a leitura deste livro possibilita é absurda. Absurda como a própria narrativa, pois tudo é muito surreal: um tribunal que fica nos quartos de uma casa decadente; cartórios que se situam em sótãos imundos; declaração de culpa sem ao menos se informar qual é a acusação; apenas para citar alguns exemplos.
O bizarro na literatura de Kafka se mistura com o real de uma forma tão convincente que não o leitor não chega a julgar como algo absurdo está acontecendo, mas apenas, o que faria algo assim acontecer.
Ao longo da leitura é possível perceber um tom bastante realista – apesar de o surreal estar sempre presente. Pois, a crítica que Kafka tece contra a burocracia e a corrupção do sistema jurídico é bastante contundente, o capítulo do Pintor é um dos que mais ilustram essa abordagem. Mas há algo mais que aos poucos se percebe. A obra parece tratar do próprio absurdo da vida, onde cada pessoa está condenada à morte sem jamais saber o motivo. Onde, como no livro, sabemos que há instâncias superiores, mas não podemos recorrer a elas. Esta interpretação religiosa pode ser percebida ao longo da obra, mas se torna bastante contundente no penúltimo capítulo: Catedral, com um diálogo que se dá entre o protagonista e o sacerdote, e uma pequena narrativa que é apresentada chamada Diante da Lei que aborda bem o aspecto religioso e ao mesmo tempo o aspecto realista da obra ao falar sobre a própria Lei. E o mais interessante desta narrativa é a própria densidade de interpretações possíveis que Kafka não está interessado em responder qual a correta, apenas, ilustrar que todas são possíveis.
“Será que podem dizer de mim que no início do processo eu quis termina-lo, e agora no seu fim, quero reiniciá-lo?” Essa transcrição do texto tem um caráter bastante religioso e psicológico, pois se encararmos o Processo como a própria vida, não seria sensato afirmar que quase todos ao fim da vida gostariam de reiniciá-la?
Assim percebi outra leitura possível que já parte do próprio título. Aqui, O Processo não representa apenas um processo jurídico, mas também, pessoal. Um processo de desgaste que aos poucos degrada o protagonista, até que no final o faz sucumbir perante si mesmo.
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