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3 de maio de 2015
Em busca de um final feliz

Comecei o livro de uma forma muito acelerada, curiosa com o novo mundo que me estava sendo apresentado. Porém, com a repetição de algumas histórias, pobreza extrema e corrupção, sem que houvesse sequência na narrativa que pensei ser a principal -a autoimolação de Fátima- acabei cansando um pouco do tema e dei uma diminuída na velocidade da leitura.
Apesar da história se passar na Índia, parece que estou no Brasil, tamanha a similaridade com a nossa realidade. O cenário central não é próximo do meu dia-a-dia. Favela só conheço de "ouvir falar", de jornais, da imprensa e filmes. Não conheço a realidade in loco. Porém, de corrupção sou alarmada todos os dias.
Pois bem.
Sobre o que Abdul nos fala? De trabalho honesto não recompensado. De justiça não realizada. De esperança improdutiva. De sonhos destruídos. De inveja consumada e levada ao limite. De sujeira ao redor daquele que quer ser limpo, mas não consegue e acaba por desistir.
É um livro extremamente angustiante, pois o que se revela é um sistema de governo absolutamente corrupto, desde a sua base. Tudo uma farsa sem resultado prático nenhum e posto em andamento pela máquina do suborno.
Triste demais!! Parece que tudo na Índia é falsificado, uma vida de aparência para "inglês ver". País do "faz de conta". As instituições beneficentes, de saúde, de ensino, as ONG's, todas funcionam a base de corrupção, cujos resultados são enfeitados quando vistoriadas. A eleição, uma ilusão!!! O preço da vida humana dos pobres tão reduzido! Diante do episódio da morte dos cavalos é retratada, de forma chocante, a insignificância do morte dos meninos da favela, todas com investigações arquivadas, sem protesto algum.
Por fim, a pergunta que me faço é: existe alguma possibilidade da família sair realmente da pobreza, pautada no trabalho? E que final feliz é esse a que o título se reporta? O texto é inacabado, não se sabe se a família terá uma melhora, muito embora a sua força de trabalho tenha se deslocado para novas funções e se mostrado mais forte do que todas as intempéries por eles vivenciadas. É a resistência do povo brasileiro.
E onde fica a palavra dignidade dentro do contexto social apresentado? E felicidade??? Ali não há nenhum sombra de felicidade. Ela está esmagada pela ambição de alguns poucos, em um sistema capitalista que bem conhecemos. Uma bela e estruturada denúncia.
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