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Avaliação de clientes

5,0 de 5 estrelas
13
O Esplendor
Formato: Capa comum|Alterar
Preço:R$50,90+ Frete GRÁTIS em pedidos a partir de R$ 99

em 3 de março de 2017
Neste delicioso romance, percebe-se a incrível mente imaginativa do autor. A leitura foi uma grata surpresa. Mais do que recomendado.
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em 29 de julho de 2016
O Esplendor traz uma história sobre um mundo fictício, onde vários temas são abordados de forma sutil. O livro parece fazer uma reflexão profunda sobre nossas capacidades de escolha, os limites da liberdade, as questões de identidade e gênero, a saúde do psiquismo, o papel do ceticismo nas nossas vidas, a inversão de valores em nossa sociedade e nossas crenças disfuncionais. Tudo isso parece condensar o brilhantismo desse livro de ficção e também suas limitações. O autor parece deixar bem claro que não há escrita sem ideologia e deixa isso bastante evidente. O leitor mais desatento vai se empolgar com a jornada de um mundo fechado em si e que desafia os conceitos do mundo de quem está lendo o livro. O leitor mais crítico vai perceber que são muitas questões em jogo e vai se perguntar se o autor não estaria querendo apenas apresentar sua erudição e colocar "dúvidas impróprias" no leitor. Leia e veja em qual categoria você se encaixa. Em ambos os casos, esplendore-se.
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500 PRINCIPAIS AVALIADORESem 24 de junho de 2017
Admito ter me deparado com poucas boas histórias de ficção científica no Brasil. Daquelas de explodir o cérebro, de te fazer dizer "Wow". Mesmo que a narrativa seja um pouco difícil e o leitor precise ralar um pouco para aprender, eu gosto deste tipo de histórias. A outra que havia me feito sentir algo parecido com o que senti lendo O Esplendor, foi Guerra Justa de Carlos Orsi. Curiosamente é um livro publicado pela mesma editora. O que eu quero dizer neste começo de resenha é que precisamos de mais autores brasileiros adentrando nesta seara tão interessante que é a hard scifi, ou ficção científica dura.

Por onde começar? Esse ano estou sendo um leitor afortunado; agraciado com várias leituras impactantes, tenho repetido o mantra "melhor leitura do ano" com frequência. Esse certamente é um daqueles livros que vão entrar neste hall. Não apenas pela narrativa intrigante, mas pelas temáticas trabalhadas pelo autor. E fico indignado de este não ser um livro mais comentado entre os leitores do gênero. Aqui temos uma escrita que mostra o cuidado que o autor teve ao construir seu mundo. Porque a escrita é parte integrante da narrativa ao criar códigos e funções para os membros da população de Aphriké. Mesmo a linguagem empregada serve à narrativa porque precisa demonstrar a ausência de determinadas palavras no vocabulário como trevas, dorme, morte. O contato com elas vai nos apresentar um terrível estranhamento simplesmente porque o cidadão comum não conhece noções para nós tão rotineiras. Mais adiante o leitor vai achar engraçado quando uma das personagens apresenta outras ideias ao protagonista. E vou parar minha fala por aqui para não estragar algumas surpresas. A escrita é em primeira pessoa contada a partir de relatos coletados por Tulla 56, do Ilê Tulla e responsável pelos registros históricos. Em seu registro diamantino, estão presentes as memórias de várias pessoas. Ela comenta alguns momentos da história, nos mostrando uma narrativa em primeira pessoa mais próxima, apesar de haver outros pontos de vista presentes. Uma saída curiosa para apresentar diferentes aspectos da sociedade. No começo da narrativa, essa alternância entre pontos de vista não é tão clara, mas mais adiante o leitor vai ser capaz de observar os fatos a partir de diversos núcleos. Portanto, o recurso narrativo de contar a história a partir de um registro de memórias coletivas é sim algo bem original.

Para falar dos personagens eu preciso comentar sobre a sociedade de Aphriké. Ela é estática sendo que cada indivíduo é parte de um coletivo maior. A pessoa escolhe um Ilê no qual vai se ligar e cada um destes Ilês é responsável por alguma função social. À pessoa é vedado fazer outra coisa que não a função de seu Ilê. As Tullas são as historiadoras, as Kayeras são as engenheiras, os Woluya-Orans são os arquitetos, os Agbês são os agricultores, as Ewin são poetisas, as Orins são cantoras. Esse aspecto me fez lembrar da sociedade de ordens típico da Idade Média no Ocidente. Onde tínhamos os bellatores (aqueles que guerreiam), os oratores (aqueles que oram) e os laboratores (aqueles que trabalham). Cada ordem deveria realizar sua função e não podia realizar a função da outra ordem. A justificativa para isso era dada pela Igreja que dizia que Deus havia dado a cada indivíduo sua função no universo e não cabia a nós, reles mortais, questionar os desígnios celestes. A ideia de Alexey em O Esplendor é semelhante. Só que é preciso pensar coletivamente. Por compartilharem mentes através da telepatia os indivíduos tinham seus pensamentos vigiados o tempo todo. Poderiam ser acusados de crimes como soberba, delírios cultistas (quando imaginavam coisas que "não existiam"), inveja. O que temos aqui é uma sociedade que valoriza a estabilidade e a estaticidade a qualquer custo. Todos tinham suas funções e isso limitava um pouco o progresso. A privacidade era sinal de anseios que não condiziam com o que a sociedade pregava. Por isso era desestimulado. Até mesmo o sexo era praticado publicamente e as sensações da relação eram transmitidas coletivamente através da malha telepática.

Algumas coisas eram vistas como irracionalidade como a religião. Como rebeldes temos um grupo de pessoas que vivem nas ruínas de uma antiga civilização que veneram um deus chamado Ra'v que teria sido responsável pela criação das pessoas de Aphriké. Mas, a Cidade Iridescente (onde a história se passa) considera a religião como irracional. Os Arimeos, um ilê que é responsável pela difusão das normas e regras sociais, criaram um conservadorismo ferrenho que se entranhou em cada um dos indivíduos. Quando começam a surgir questionadores como Itzak, estes são tratados com desdém e até como piada. O que é colocado pelos arimeos é quase como um culto; o da luz sempiterna, ou seja, da luz eterna e constante. Isso porque Aphriké possui seis sois: Osum, Osala, Sango, Omulu, Yewa, Oya e Yewa. Portanto, Aphriké é eternamente coberta pela luz dos sois. Não se conhece a escuridão, aliás, não se conhece nem a noção do que é escuridão. A própria noção da luz sempiterna nos demonstra como a sociedade encara a si mesma e a maneira como ela deve viver a vida: sempre constante, nunca mutável.

Para manter a ordem, os discordantes são encaminhados a um tratamento de reciclagem feito pelo Ilê Monástico, que refaz os pensamentos dos indivíduos. É o controle da mente para a manutenção da ordem. Só que eventualmente aqueles que querem esconder seus pensamentos vão encontrar maneiras de difundir suas ideias e é nesse sentido que a história acontece. O leitor vai aos poucos percebendo que a sociedade perfeita possui uma série de pequenas brechas presentes em todos os setores da sociedade. Quando os problemas começam a ocorrer, é como uma fileira de dominós caindo uma atrás da outra.

O único ponto fraco que eu senti na história é a difícil curva de aprendizado. O leitor demora um pouco a se acostumar com a escrita do autor e o sentido da história. Isso é muito porque a história foi concebida para ser dessa forma. Não sei de que maneira aliviar esse problema porque isso tiraria a fluidez posterior da narrativa. Quando o leitor consegue se assentar na escrita, a história passa brincando. Para mim, o ponto foi entre 35 e 40% da narrativa. Alguns leitores podem acabar desistindo antes. Mas, peço aos senhores que estão lendo esta resenha: SEJAM PACIENTES. Sério. A história recompensa demais o leitor. São tantos temas que eu poderia comentar aqui, mas não quero entrar em muitos detalhes da história para não dar spoilers.

Queria tocar em dois temas trabalhados pelo autor. O primeiro é o de uma sociedade coletivista desprovida de guerras. A nossa experiência como seres humanos mostra ser muito complicado obter esse nível de união. Diferenças e discussões são o que torna a nossa sociedade progressista. Não é possível termos uma sociedade em que todos concordam com tudo e todos. A dialética precisa existir mesmo que ela cause problemas e rupturas. Não se trata de uma apologia à guerra e à violência, mas uma compreensão de que o debate acarreta o dinamismo.

O segundo tema é uma teoria minha acerca de uma passagem do texto. Como a narrativa se foca bastante em que a verdade precisa ganhar luz frente às sombras escondidas por uma sociedade conservadora, em um momento da narrativa eu senti a presença da alegoria da caverna, de Platão. Eu fui lendo, lendo, lendo e algo estalou na minha mente. Pensei: "o autor não quer dizer o que eu estou pensando, certo?" Quando me dei conta, eu lembro de ter desligado o Kindle por alguns minutos e aberto um sorriso maroto. Não se preocupem, gente... isso acontece em várias partes da narrativa. Os momentos finais então são de fritar o cérebro. Mas, enfim, gostei da maneira como o autor emprega a alegoria da caverna para demonstrar o quanto a verdade se tornou imprescindível para fugir de uma situação que era cada vez mais iminente. E que, por tolice e incompreensão, a sociedade da Cidade Iridescente se recusava a enxergar a verdade. Mesmo que esta verdade destruísse as bases do que os cidadãos consideravam como senso comum. Em certos momentos me pareceu que Lah-Ura era quem estava fora da caverna e todos os outros estavam dentro dela. E Lah-Ura queria que todos saíssem da caverna e enxergassem o mundo que havia lá fora.

Bons livros de ficção científica são leituras inesquecíveis. Fazem o leitor pensar e questionar determinadas verdades absolutas. O Esplendor não é uma defesa de ideias, mas uma narrativa que vai fazer você refletir. Com uma escrita muito criativa, personagens fantásticos e uma narrativa intrigante, Alexey entregou mais uma leitura que facilmente estará entre as melhores leituras do ano. Mas, com tantos bons livros lidos vai se tornando cada vez mais difícil escolher apenas cinco livros bons. Que bom que estou tendo sorte.
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em 28 de junho de 2017
“De onde viemos? Quem ou o quê é o nosso criador?” São essas perguntas básicas, que já foram feitas pela maioria de nós, que permeiam toda a obra de Dodsworth. E não se engane: apesar do nome, o autor faz parte da nossa maravilhosa safra de autores nacionais.

Enquanto narra as origens de Aphriké, de seus habitantes, crenças e costumes, Dodsworth tece um paralelo com nossas próprias existências humanas, propondo reflexões profundas que são aquilo que a ficção científica faz de melhor.

O que devemos considerar em nossas decisões: o bem-estar pessoal ou coletivo? Até que ponto os questionamentos são válidos? Qual a melhor forma de organizar uma sociedade? Por meio de uma narrativa fluida e instigante, Dosworth cuida de todos esses pontos sem cair no marasmo de uma história meramente reflexiva. Há coisas acontecendo a todo o momento: ações, enigmas, revelações.
É o tipo de história que os fãs de ficção científica irão gostar e que vale a pena ser lida não apenas uma vez.
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em 15 de janeiro de 2017
Este livro é a melhor ficção científica feita por um autor brasileiro que eu já li, e não fica atrás das gringas.
Enredo bem construído, trama entrelaçada, personagens extremamente cativantes, diversas referências culturais, um universo rico e bem construído de início ao fim.
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em 4 de julho de 2017
Em um planeta com seis sóis em seu céu, fenômeno fonte da luz sempiterna, habitam seres humanos com uma fisionomia única, marcada por dois corações, pele negra, ausência de pálpebras e pelos, e costumes espantoso para os leitores que se aventuram nessa ficção fascinante, são eles desde a imoralidade em vestir-se ou a criminalidade em demonstrar sentimentos.
Aphriké, o único planeta existente no universo, segundo os Monges da cidadela, é povoado por humanos telepáticos que desconhecem a dor, a escuridão, o sono e também a privacidade. Isso mesmo, eles compartilham todos os seus pensamentos e são obsecados pela ideia de perfeição, tanto que existem policiais do pensamento, que tem como função analisar sua aura e se ela não for dotada de pensamentos altamente generosos, o infrator sofre uma espécie de “reciclagem”.
Esses indivíduos nascem sem nome próprio, podendo adota-los apenas ao atingir a maior idade, escolhendo assim seu “Ilê”, ou seja, a profissão que irá exercer até o fim da sua longa estimativa de vida, que é em torno dos 200 anos, sem possibilidade de mudança.
Em uma sociedade em que pensamentos são transparentes, o sexo não poderia ser nada menos que uma prática comum, coletiva e pública.
A trama se desenvolve após o nascimento de um bebê anormal, que possui uma pele que encobre a luz de seus olhos temporariamente, é capaz de morrer e ressuscitar em um curto período (dormir) sobrevive sem a luz dos seis sóis, e o pior de tudo, seus pensamentos são inacessíveis.
Do outro lado do planeta, encontram-se os cultistas, um grupo considerado rebelde que acredita na existência de outro planeta, além do que vivem, e ao saber do nascimento do garoto, irão fazer de tudo para uni-lo com sua líder Lah-Ura 23, a fim de acordar o Menino Deus, Rahv , o criador de tudo, que poderá concede-los a privacidade e o conhecimento do novo planeta de um único sol.
O Esplendor é uma ficção repleta de originalidade, um mundo altamente bem construído, sem nenhuma “ponta solta”. O livro longo dar-se a toda necessidade de apresentação desse universo, mas a leitura é fluida e envolvente. Super vale a pena a leitura.

Resenhado por Larissa.
Nota: 4,5/5
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em 6 de julho de 2017
A história de Aphriké, o mundo retratado em O Esplendor, me atingiu como um petardo mental. Uma daquelas obras em que se consegue ascender ao grau máximo de atenção do leitor, alcançando o sense of wonder, refletido na trama bem amarrada e magistralmente elaborada pelo autor.
Sim, de fato, o livro é denso, porque precisa ser. Isso porque há uma necessidade de apresentar todo um conceito social e científico, os costumes de uma civilização, cultura, profecias e o uso bem empregado de vocabulário próprio, possivelmente extraído da língua yoruba, produzindo, assim, uma consistente e bem amarrada narrativa, mantida até a conclusão desse que já considero épico e uma das minhas melhores leituras do ano.

"Pois em cada estrela há um dragão, uma fera com acesso à urdidura da existência."
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em 24 de junho de 2017
Aphriké é um planeta, onde existem seis sóis, cada um determina um tipo de tempo: hora, dia, mês, ano, e etc, cada um em sua cor diferente. Os seres existentes nesse planeta, foram feitos, de forma que necessitam de luz o tempo todo, quanto mais luz, mais forte é a função telepática deles. Vivem em uma sociedade que preza pela cidade, onde não existe privacidade, e tudo deve ser compartilhado, principalmente as emoções boas, que são ampliadas para que toda a cidade possa usufruir do sentimento bom.

As pessoas são nomeadas a partir do momento em que escolhem sua profissão, Tulla 56 é a 56º de uma geração de historiadoras, esta é a narradora de nossa estória, que tem início no momento em que o mundo está a beira do colapso, porque virá a Escuridão, e ninguém sabe muito bem o que fazer. Tulla com o auxílio de alguns amigos, resgatou crianças e levou-as para um lugar seguro, onde eles vão passar esse momento de Escuridão e torcer para que tudo dê certo, neste tempo, Tulla vai gravar e nos contar como tudo isso começou, a partir de 30 anos antes, com nascimento de um bebê um tanto peculiar, filho de Orin 53 (cantora) e Oluya-Woran 30 (arquiteto).

No começo o livro é um tanto difícil de pegar o ritmo, pelo fato de que é necessário passar por muitas explicações sobre como o mundo funciona, mas não é algo que incomode, apenas fica lento, e o autor dividiu muito bem essa forma de explicação, porque conforme a estória vai dando seus passos, as explicações necessárias vão andando em conjunto.

O mundo apresentado é basicamente o oposto do nosso, em alguns pontos existem semelhanças, sim, porém a maior parte é completamente o contrário, como os mortos ao invés de serem enterrados por completo, são enterrados até os joelhos, pois se transformam em árvores ao final de tudo, e no parto ao invés de sentir muita dor, as mulheres tem o orgasmo mais forte de suas vidas, com isso já emendo que o sexo neste mundo é algo a ser partilhado, sem pudor.

Durante a estória também se percebe muitas críticas do autor à algumas ações da nossa sociedade, e também mostra muito o quanto a sociedade deles é diferente, em alguns pontos eu gostaria que a nossa fosse como a deles, mas em outros achei a forma deles bem errada.

O andar da estória e o final foram algo que eu simplesmente não esperava, nunca em todas as minhas ideias sobre este livro chegariam nesse ponto, que foi o que mais me surpreendeu, saiu de tudo que poderia ser considerado clichê. Termino essa resenha dizendo: se você é fã de ficção científica leia esse livro, e se não conhece, leia também, pois vai se apaixonar pelo gênero.
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100 PRINCIPAIS AVALIADORESem 6 de junho de 2016
Sabe quando você termina um livro e fica pensando “o que faço agora da minha vida que essa história acabou?”. O Esplendor é esse tipo de história. E que livro! Alexey Dodsworth coloca sua cabeça num liquidificador, liga e deixa você lá dentro e, mesmo assim, você agradece. Porque essa história é tão brilhante, tão criativa e tão rica, que é como se você fosse de verdade transportado a Aphriké e suas ideias se iluminassem com a luz de seis sóis. Mas, para abraçar a luz, é preciso compreender a escuridão. E é disso que essa ficção científica espetacular se trata.

Em um mundo cercado por seis sóis, a escuridão é uma lenda distante, tão absurda e ofensiva que chega a ser contra a lei. Esse planeta é Aphriké, e seus habitantes, assim como desconhecem a ausência de luz, também são ignorantes quanto ao sono e aos sonhos. Mas, para eles, o seu mundo ordeiro é perfeito: as pessoas só morrem aos exatos 200 anos de idade, transformados em belas árvores. Sua anatomia é adaptada ao ambiente: a pele negra funciona como uma bateria solar, e eles pouco precisam se alimentar além da luz dos sóis que banham o planeta. Vestir-se é um atentado ao pudor. A sociedade é organizada em Ilês, profissões, que os cidadãos assumem ao atingirem a maioridade, assim como assumem seu nome próprio e jamais poderão alterá-lo, assim como não podem assumir outra profissão. As pessoas se comunicam por telepatia e emoções são vistas como crimes da mente. Não existem estrelas no céu: só existe Apriké e os seis sóis brilhantes no céu. Nada existe além de Aphriké.

“O Ilê Tulla e o o Ilê Itsak, voltados cada qual para uma extremidade do tempo, se tocam no infinito que se dobra sobre si mesmo. O passado encontra o futuro.”

Parece o mundo perfeito, mas há uma pequena rachadura em toda essa ordem. E ela começa a ficar maior e mais evidente quando um menino aparentemente anormal nasce. Uma anomalia. Ele possui uma pele que encobre a luz de seus olhos temporariamente, tufos de pelugem na cabeça, suporta ficar sem luz e, o pior de tudo, morre e ressuscita. Ou melhor: ele é capaz de dormir.

Uma das coisas mais impressionantes na ficção de Alexey Dodsworth é o quanto seu mundo é crível e bem construído. Absolutamente cada detalhe de Aphriké é apresentado ao leitor, mas jamais de maneira didática, jamais cansativo. Cada descoberta é empolgante, e o leitor se vê virando as páginas, ávido por mais informação, por conhecer melhor aquele mundo, aqueles estranhos seres que, apesar de todas as diferenças, ainda são tão parecidos conosco, tão humanos. E talvez essa seja a parte mais bela dessa história, o maior acerto do autor, maior ainda que a criatividade em criar esse mundo quase perfeito, em elaborar essa intrincada história: os personagens. Uma história não é nada sem eles, e nisso, como em todo resto, Alexey brilhou.

Não sou a maior fã de ficção científica; aprecio o gênero, tenho meus momentos, minhas obras favoritas. Às vezes o que justamente não me apetece em FC são as histórias brilhantes e imaginativas, porém vazias de sentimento, de humanidade. E quando uma obra de ficção científica me conquista, é justamente por promover o encontro da criatividade, da ciência e da humanidade. E isso O Esplendor faz muito bem. É impressionante como, apesar de termos um mundo onde a igualdade e a normalização são a lei, um lugar onde as pessoas são conhecidas por sua profissão e as emoções são um crime, personagens são tão ricos de sentimentos e as particularidades brotem naturalmente das páginas, cada um deles conquistando o leitor com sua própria personalidade, envolvendo-nos numa trama que vai além da ficção científica e mistura também drama e suspense.

Mas O Esplendor não para aí. As críticas sociais se espalham pelas páginas. É um tapa atrás do outro. Impossível não refletir, não parar e fazer um paralelo com nossa própria sociedade. Com nosso sexismo, nosso preconceito, nosso conservadorismo e nossa violência. Digo “nosso”, porque nenhum de nós está livre desses “venenos”. Seria vaidade pensar o contrário. E a obra toca nessas feridas e, da mesma maneira, mostra que são nossos defeitos, equilibrados com nossas virtudes, são o que constroem a complexa máquina humana.

“Reescrever memórias é um grave crime. Equivale a uma expressão pouco usada: estupro.”

O final é espetacular. Eu lia e lia, e devora as páginas, mas tinha um certo receio quanto ao final. Aquele frio na barriga que dá quando você tem em mãos um livro tão bom e tem receio que o final estrague. Mas não. A grande revelação final é brilhante e se encaixa perfeitamente na proposta do livro. Na verdade, a ideia estava lá o tempo todo, mas envolvida que estava com a história, não percebi. Mas foi melhor assim: quando a ficha caiu, abri um sorriso, terminei de ler as últimas páginas e fechei o livro com a sensação de ter feito uma das melhores viagens da minha vida. Você precisa ler O Esplendor.
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em 7 de outubro de 2017
Casamento de várias áreas contemporâneas do desenvolvimento científico com critica social em uma ficção empolgante que nos retoma a confiança em um futuro menos distópico.
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