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Avaliação de clientes

5,0 de 5 estrelas
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1000 PRINCIPAIS AVALIADORESem 3 de março de 2017
Uma obra de arte torna-se clássica por dois motivos: pelo conteúdo que lhe é intrínseco e que, de certa forma, dialoga com a realidade mais profunda de seu contexto genético, significando algo no tempo mesmo em que toma forma; e pelo poder que tem de gerar repercussão crítica e funcionar como um agroval criativo, inspirando outras obra de seu tempo e de seu além-tempo, o que, de outra forma, dialoga com uma realidade ainda mais profunda e que transcende o seu próprio contexto etiológico.
Morte e Vida Severina é, em todos esses aspectos, uma obra clássica. Vinda a lume em um Brasil desigual, profundamente violento e marcado pela miséria, a obra consegue dialogar e comunicar não apenas com o povo que na pela sente essa realidade descrita, mas com intelectuais do sudeste, da França, estudantes, músicos e atores, que viam representada nos versos de cordel uma vida que imaginavam existir, lá longe, no brasil fundo do Brasil.
A pequena epopéia de Severino de maria, na sua fuga da morte de velhice (antes dos 30) ou violenta (antes dos 20) ou de fome a qualquer momento, transcorre em um cenário no qual a primazia é e só pode ser a da morte, essa landlord da vida, paga sempre à vista. Uma morte que é cotidiana, que leva mesmo nome (severino, severina), que atravessa o horizonte de sentido do pobre retirante. Narra aridez do sertão, das mortes matadas de lavradores que, mortos tem a (tão sonhada!!) terra dividida; narra como as terras férteis da zona da mata não são povoadas de gente, mas de cana e usinas, onde não se precisa amolecer a terra suando em cima é justamente onde ele não pode ficar. Mostra que a desigualdade permanece até no cemitério, e que as diferenças não se abranda ( ao contário reificam) no terreno da morte.
Por fim, há uma esperança no auto de natal, propriamente dito, onde a vida irrompe à revelia da morte. Ainda que seja uma vida (também) severina.

A edição comemorativa da Alfaguara é digna dos 60 anos da primeira edição da obra. Vale a pena tê-la.
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em 3 de abril de 2018
Talvez seja dos livros mais antagônicos que já tive o prazer de ler: como pode uma obra tão curta impactar tanto?

Morte e Vida Severina conta a Epopeia do Sertanejo Severino que desistindo do Sertão para migrar para a cidade grande, Recife, em busca de sobrevivência, encontra pelo caminho apenas miséria e morte (dos demais Severinos) ao longo do seu percurso. Chegando na capital pernambucana, ao contrário do esperado, depara-se com dois coveiros contando o trágico fim de cada retirante:

"- Não é viagem o que fazem,
vindo por essas caatingas, vargens;
aí está o seu erro:
vêm é seguindo seu próprio enterro".

A obra marcante de João Cabral de Melo Neto termina com a retratação do nascimento do Messias sertanejo, filho de José, recebendo presentes miseráveis, trazendo uma esperança que surge diante de toda aquela predestinação a Morte e Vida Severina.

Parabéns a edição Alfaguara que ficou sensacional.
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