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em 11 de agosto de 2017
Gostei muito do livro do professor Leandro Karnal e destaco a seguir os pontos que achei mais relevantes.

Ao longo de nove capítulos o autor procura desmontar o mito do “homem  cordial”, passado de geração a geração como parte da história oficial do Brasil, analisar a questão do ódio que sempre permeou a relação entre os homens, e questionar os efeitos e os perigos da intensa polarização que se pode observar na política brasileira atualmente. Por exemplo, segundo a história oficial nunca houve guerra civil nestas terras, ignorando as inúmeras revoltas e convulsões internas que ocorreram durante o Império e a República. Para lembrar algumas destas lutas internas: Cabanada (1835-1840, Pará), Sabinada (1837-1838, Bahia), Balaiada (1838-1841, Maranhão), Revolução Farroupilha (1835-1845, Rio Grande do Sul), a revolta de Canudos(1896-1897, Bahia), a revolta do Contestado (1912-1916, Paraná / Santa Catarina), a Revolução de 32, etc. Ou seja, temos uma história pontuada por lutas internas. A ideia do brasileiro como “homem cordial” foi difundida   e incorporou-se ao imaginário popular com um sentido bem diferente daquele que Sergio Buarque de Hollanda lhe emprestava em “Raízes do Brasil”. Aquele autor queria dizer que o homem cordial age guiado pelas emoções, que tanto podem ser positivas como negativas.

De forma semelhante, Karnal questiona o mito de  que não somos racistas, mostrando que o racismo no Brasil existe e  assume a forma insidiosa de uma prática social que faz com que suas vítimas se sintam elas mesmas inferiores e, portanto, aceitem as praticas racistas como naturais, ou seja, “conheçam o seu lugar”. Após deixar claro que somos, ao contrário da imagem que fazemos de nós mesmos, um povo  violento, racista, preconceituoso e que sente ódio. Karnal faz uma longa análise sobre a questão do sentimento de ódio, suas bases psicológicas e seu uso político. A questão do preconceito contra mulheres, negros, homossexuais é apresentada.

Na conclusão do livro Karnal analisa a influência das redes sociais, a atual polarização da discussão política e explica os fenômenos que diferenciam  a consciência política e a vontade de participação manifestada pelos eleitores atualmente em relação ao passado.
Algumas citações do autor: “Desde a última eleição presidencial, em 2014, passando pelo processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff até as crises do governo Michel Temer, somos invadidos, via internet, por textos duros, ataques de lado a lado, análises corrosivas, escárnio e agressão verbal. O Brasil descobriu-se raivoso na política, exibindo uma inquietante carga de ódio que fluiu pela rede.” [Karnal, Leandro. Todos contra todos: O ódio nosso de cada dia (Locais do Kindle 1244-1247). Leya Brasil. Edição do Kindle.] Qualquer pessoa que acompanha os posts sobre política percebe isso. O ódio escorre pelas telas das redes sociais; não há mais adversários políticos, apenas inimigos em um confronto cósmico entre o Bem e o Mal. Cada um dos lados se considera a encarnação de tudo o que é bom, limpo, decente, democrático, enquanto o outro lado é demonizado. Os comentários não raro se desviam para a grosseria pura e simples.

Conforme bem assinala Karnal, retornamos ao clima que antecedeu a intervenção militar de 1964: ”A partir daquele momento, houve uma regra ressuscitada na Era Dilma: “Não apenas me oponho a você, mas você é o obstáculo para o progresso brasileiro.” Ou: “O Brasil seria um bom lugar se você não existisse.” Daí cresce o ódio diante das mazelas políticas, porque interpreto que tudo de ruim que ocorre no Brasil nasce do outro.” [Karnal, Leandro. Todos contra todos: O ódio nosso de cada dia (Locais do Kindle 1266-1269). Leya Brasil. Edição do Kindle.]

Um momento delicado, mas o que se vê no debate político, tanto no Congresso como nos partidos, tanto nas organizações patronais como nos sindicatos, nas universidades e na sociedade como um todo é uma troca de acusações mútuas e ofensas. O debate tornou-se completamente polarizado. E Karnal aponta com muita propriedade: “O problema da polarização é que ela não pensa. A polarização adjetiva. No momento que eu digo que você é petralha ou coxinha, deixo de pensá-lo como um ser humano dialético, contraditório, orgânico, em evolução, e paro de discutir as suas ideias e apenas o rotulo.” [Karnal, Leandro. Todos contra todos: O ódio nosso de cada dia (Locais do Kindle 1288-1290). Leya Brasil. Edição do Kindle.]

Por outro lado, os acontecimentos dos últimos anos demonstraram de forma cabal a verdadeira natureza da política. Aqui, como em qualquer outro lugar do mundo, o exercício da política não tem como determinante exclusivo ou mesmo principal a busca do bem comum. Passado o discurso eleitoral, política é o controle do estado para o benefício de determinados grupos. Mas no Brasil este processo atingiu um grau de exacerbação e imeddiatismo que leva o autor a afirmar: “Mas a corrupção é institucional e endêmica. Portanto, não seria a solução a queda de uma pessoa para resolver o problema da corrupção.” [Karnal, Leandro. Todos contra todos: O ódio nosso de cada dia (Locais do Kindle 1275-1276). Leya Brasil. Edição do Kindle.]

Então há hoje uma percepção clara por parte da sociedade de que é preciso tornar o estado mais eficiente e mais voltado para o bem comum. Segundo Karnal: “Então, em parte, todo esse debate é sobre uma tentativa de criar o que não existe: que é a política coletiva, do bem comum, administradora da maioria, um projeto de Estado, e não um projeto de governo. Esse é um desejo coletivo neste momento.” [Karnal, Leandro. Todos contra todos: O ódio nosso de cada dia (Locais do Kindle 1318-1320). Leya Brasil. Edição do Kindle.]

O livro de Karnal é um alerta nestes tempos de crise política, moral, econômica e social; suas palavras deveriam ser analisadas por todos os brasileiros interessados no futuro deste país.
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em 24 de dezembro de 2017
Karnak nos leva a conclusões muito interessantes sobre ódio e política, de maneira didática e escrita agradável.
Impressiona a sempre presente clareza de sua argumentação.

Leitura muito boa para os que não temem a auto análise e o pensamento crítico.
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em 5 de outubro de 2017
Leandro Karnal escreve de um jeito fácil e de forma bem inteligente sobre um tema tão polêmico e complexo. É um tapa na cara da sociedade brasileira e nos instiga a mudar e combater as intolerâncias e o ódio. Apesar de bem interessante, o livro não esgota todo o assunto e abre muitas possibilidades para o aprofundamento.
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em 27 de outubro de 2017
Autor retrata muito bem o cenário de ofensas gratuitas e violentas que assola o País, traz dilemas atuais como as brigas na internet e ao mesmo tempo traz os traços históricos que nos trouxeram até aqui.
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em 18 de janeiro de 2018
O livro repete as mesmas ideias que Karnal apresenta em palestras e entrevistas, só vale a pena para quem não conhece nada dele.
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em 3 de dezembro de 2017
Karnal jamais decepciona. Um livro que merece ser lido e recomendado a todos. É aquele tipo de título que se lê uma vez e com o passar do tempo vai sempre sendo relido e relido para novas interpretações.
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em 5 de dezembro de 2017
Muito bom!
Super indicado para quem quer fazer uma leitura verdadeira sobre o momento atual do nosso Brasil.
L. Karnal é um verdadeiro filósofo, amo!
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em 3 de setembro de 2017
Gostei muito do Pecar e Perdoar, porém esse livro do Leandro Karnal ficou muito raso. Ele poderia ter desenvolvido melhor as ideias.
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em 17 de agosto de 2017
Provocador e reflexivo. Muito bom. De forma didática o autor tenta demonstrar a violência brasileira, desfazendo o mito do homem cordial.
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em 18 de fevereiro de 2018
Recomendo a leitura! Este livro nos faz refletir e avaliar nossa relação com o ódio e o preconceito. Que por meio da educação sejamos pessoas mais éticas e centradas no compartilhamento do bem.
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