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24 de outubro de 2019
Belo livro sobre as feridas permanentes deixadas por uma guerra civil (a independência do chamado País Basco e a guerrilha do ETA); sobre os mortos que efetivamente morreram e os que permanecem sobre a terra, convivendo com o luto, a raiva, a culpa, emocional e psicologicamente destroçados; a arrogância dos jovens guerrilheiros, desafiadores, que se acreditam imortais, e, mais tarde, transformados em prisioneiros envelhecidos, o lento desmoronamento de suas convicções, minadas pelos castigos, pelas traições, pelo isolamento e pela culpa; as amizades de muitos anos para sempre desfeitas, e as janelas dos inimigos que se abrem umas frente às outras; toda uma comunidade, enfim, mergulhada na desconfiança, no medo, numa espécie de depressão coletiva em que os dias passam sempre iguais e o futuro promete ser apenas a repetição sombria do passado. Um livro para os tempos atuais, em que jovens impúberes digitam nos seus celulares convocações à guerra como quem convida um amigo para ir à sorveteria. A guerra, nos adverte Fernando Aramburu, não é um jogo de crianças: é a peste que se abate sobre uma comunidade e, quando finalmente cessa, depois que todo o sangue foi derramado, deixa atrás de si apenas cadáveres e fantasmas.
Ótimo livro, enfim, que recomendo a todos.
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4,7 de 5 estrelas
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R$22,90